Entrevista: Fred Rocha fala sobre a Black Friday no Brasil

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Black Friday

O comércio eletrônico vem ampliando seus horizontes no Brasil e no mundo. Tendências comerciais e de marketing, como a Black Friday, por exemplo, tem invadido o cenário varejista, obrigando empresários e consumidores a se adaptarem a essa nova realidade cada dia mais dinâmica.

Para falar sobre esse boom do varejo no Brasil e no mundo, convidamos Fred Rocha, editor chefe do Varejo 1, especialista em varejo com mais de 20 anos de experiência no mercado,  Diretor da ABComm em Minas Gerais e Diretor Geral do F Grupo.

JN2: Quais as principais diferenças entre o BlackFriday estrangeiro e o brasileiro? Por que o nosso ainda não funciona?

FR: É uma questão de maturidade. Não dá pra comparar a Black Friday no Brasil com o que é realizado nos EUA. Lá ela foi criada em 1980, são 33 anos de experiência, entre erros e acertos para que pudesse ser o que é hoje.  Precisamos trabalhar agora para que os problemas apontados como a “maquiagem” de preços e ausência de infraestrutura de algumas lojas virtuais não atrapalhem as edições futuras.  No entanto, tem muitos empresários que levam a Black Friday muito a sério. Estes já entenderam a importância e o real significado dessa data, assim, o utilizam a seu favor, divulgando suas empresas e ganhando ainda mais credibilidade no mercado, com o consumidor.

JN2: Em relação aos mercados estrangeiros, por que o é tão difícil para o lojista brasileiro dar descontos verdadeiros e que realmente valham realmente a pena para o cliente, mesmo somente nesta data? Dá pra sair sem prejuízo e ainda melhorar a imagem com o cliente?

FR: Trata-se de uma questão de cultura, vivemos hoje no Brasil o que eu chamo de a banalização do desconto. Observe como utilizar a palavra desconto virou quase uma necessidade no varejo. Ande em qualquer rua de um centro comercial ou pesquise algum produto ou serviço na internet. É impressionante como os lojistas exploram o termo de forma inconsequente.  Colocar cartazes, faixas e anunciar 70 ou 80% de desconto, mas vender os produtos com praticamente o mesmo preço pelo qual podem ser encontrados em qualquer outra loja definitivamente não é uma boa estratégia em nenhuma época do ano.

Esse tipo de atitude por parte dos lojistas desencadeia um sentimento de descrença por parte dos consumidores. O problema é que sabendo que os descontos não são reais, além de criar uma má impressão da loja os clientes, cada vez mais, passarão a ignorar os descontos absurdamente atrativos, simplesmente por saber que eles não existem em nosso mercado, pelo menos não da forma que são anunciados.  Grandes varejistas que investiram para divulgar sua participação e descontos no Black Friday e não cumpriram, só perderam com isso. Agora vão ter que investir seus esforços para tentar convencer novamente os consumidores.

JN2: Aproveitando este assunto, os brasileiros tem comprado muito em lojas e shoppings virtuais do exterior, principalmente da China. É praticamente impossível equiparar os preços. Como competir com eles então?

FR: Realizamos uma pesquisa recente em nosso portal que confirmou minhas suspeitas, 46% dos participantes compraram em uma loja fora do Brasil e além de receberem o produto afirmaram que irão comprar sempre. Apenas 3% disse ter tido algum tipo de problema e 5% afirmou não ter recebido o produto. Outro número que chama atenção é dos participantes que disseram que provavelmente comprariam, mas ainda não compraram por não conhecerem as lojas, 28%.

 O comércio nacional ainda não enxerga nas gigantes lojas internacionais uma ameaça ou como concorrência direta. Este erro pode ocasionar a falência de muitas lojas, que poderão perceber tarde demais que perderam seus clientes e o espaço no comércio local, para lojas de fora que estão se movimentando e investindo muito para conquistar o mercado brasileiro.  O momento é de observação, mas também de pensar em estratégias. Não tenho dúvidas de que daqui pra frente o varejo brasileiro terá que se reinventar e se adequar às novas exigências dos consumidores e as grandes concorrências das gigantes lojas que vieram e estão vindo para ficar e lucrar cada vez mais.

 Acredito nas boas estratégias e ações que os empresários já podem começar a elaborar para não perder espaço no mercado nacional. As gigantes internacionais estão aí, a um clique do consumidor oferecendo garantia de entrega, mix de produtos, preço e qualidade. E você varejista brasileiro, está oferecendo o que ao seu cliente? Minha dica é aposte e invista no que você tem de melhor, encontre o seu diferencial que o torna único e que os clientes vão lembrar sempre.

 JN2: Você disse em seu post para o Varejo 1 que ainda acredita na Black Friday do Brasil. Apesar de todos os problemas de infraestrutura. Por que ainda aposta?

 FR: Aposto porque eu acredito no varejo e nos empresários do Brasil. Além disso os brasileiros já adotaram o evento, que já se tornou parte do calendário nacional. Não tenho dúvida de que, se observado e reparado os problemas acima citados temos tudo para que a Black Friday se torne de fato um dos principais eventos do varejo nacional e seja tão aguardada quanto a americana. É uma questão de adequação, de desenvolver uma cultura de descontos e consumo que ainda é nova para os brasileiros.

JN2: Ainda falta muito tempo antes da Black Friday 2014, ainda dá pra melhorar? Tem alguma dica vinda do Shop.Org, em Chicago, que você participou recentemente?

Tanto o Shop.Org quanto a NRF são feiras para discutir e apresentar as tendências do varejo mundial. Acredito que algumas lojas e empresas no Brasil estarão utilizando as tendências apresentadas não só durante, mas antes da Black Friday. No entanto, a questão não é a implantação das tecnologias e tendências apresentadas, mas a forma com que os empresários irão repassar as novidades aos consumidores brasileiros.

Alguns empresários ainda não sabem como funciona o processo e o potencial de ganho com a Black Friday no Brasil. Minha dica seria, basicamente, o que eu disse anteriormente. Precisamos desenvolver uma cultura de descontos reais, adequar e melhorar a infraestrutura das lojas virtuais para que suportem um grande número de visitantes ao mesmo tempo. Estamos no caminho certo.

 

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